Imagem de divulgação do filme “Sérgio”, estrelado por Wagner Moura.

A próxima sessão de Cinema e Direito da FMP ocorre em 19/08 às 17h e contará com a ilustre presença da Sra. Carolina Larriera, sobrevivente do atentado no Iraque em 2003. Ela é viúva do filósofo e Alto Comissário das Nações Unidas Sérgio Vieira de Mello, que foi tema do longa-metragem “Sérgio” (2020), que será discutido no bate-papo, e do documentário “Sérgio Viera de Mello” (2009). Ambas obras foram produzidas pelo cineasta americano Greg Barker e estão disponíveis na Netflix. O debate, que terá transmissão pelo canal da FMP no YouTube, valerá 2 horas de atividade complementar e as inscrições podem ser feitas clicando aqui. 

Sergio Vieira de Mello, nascido em 1948 no Rio de Janeiro, filho de embaixador, se formou na Sorbonne na França, licenciatura e mestrado em filosofia e doutorado em ciências humanas. Obteve formação nos campos de refugiados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, e foi definido por Kofi Annan, ex-secretário geral das Nações Unidas, como “a pessoa certa para resolver qualquer problema”. Chegou a ser cotado para sucedê-lo no cargo.

Sérgio atuou nos últimos 40 anos em diversas missões da ONU: Paquistão Oriental, Sudão, Moçambique, Bósnia, Camboja, Kosovo, (e mais perto de casa, Peru e Argentina) antes de levar a independência ao Timor-Leste, missão considerada de maior relevância, inclusive com destaque no filme. Entre 1999 e 2002 fez parte do governo interino que auxiliou a reestruturação do país asiático, e que havia conquistado a sua independência após 24 anos sob o domínio da Indonésia. 

Após a missão, foi nomeado por Kofi Annan como Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, cargo mais alto atingido por um brasileiro no interior da hierarquia da ONU. Permaneceu por pouco tempo no cargo, visto ser nomeado representante especial da ONU em Bagdá, no Iraque, palco da guerra entre EUA e as forças de Saddam Hussein. Sérgio foi morto junto com 21 colegas em um ataque suicida contra a sede da ONU, que foi totalmente destruída. 

Carolina Larriera juntamente com a mãe de Sérgio, Dona Gilda Vieira de Mello (in memorian – 03/08/2021), fundaram o Centro Sérgio Vieira de Mello, sediado na cidade do Rio de Janeiro, comprometidas em perpetuar seu legado e uma vida que vale a pena lembrar. O Centro trabalha na democratização do ensino da diplomacia para que aqueles sem acesso possam desenvolver atributos exigidos pelo mercado de trabalho; a falta oratória, negociação, resolução de problemas, e etiqueta pode ser muito prejudicial para os jovens. Além de desempenhar atividades de advocacy para promover a dignidade e a tolerância como valores centrais, a fim de promover a compreensão global, e a construção de vidas significativas.

Carolina tem uma década de experiência trabalhando nas Nações Unidas, na sede em Nova York e em Operações de Manutenção da Paz da ONU. No Timor-Leste, ela esteve envolvida no desenvolvimento de pequenas divisões do governo e na sua consequente transformação em ministérios de pleno direito. A sua seguinte missão política com a ONU foi em Bagdá durante a guerra dos EUA no Iraque. Após a queda de Saddam Hussein, ela organizou a primeira Conferência Internacional de Justiça em Transição (Transitional Justice) em Bagdá, com a participação de mais de vinte ONGs internacionais, no início de julho de 2003. Trabalhou desenvolvendo políticas públicas para a empregabilidade e os direitos econômicos das viúvas, como parte do portfólio da ONU de direitos humanos.

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